quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O corsário dos nossos tempos

Um pensamento que me vem... A pirataria é errada porque as editoras, os cinegrafistas, enfim, seus funcionários não vão receber o devido valor pelo seu trabalho. Então, como não é correto o uso de sites piratas, que devo eu fazer para ler um livro físico ou um e-book? Comprá-lo! Aí está!




Entra uma problemática com dois institutos: o sebo e a biblioteca. O primeiro se utiliza de uma reciclagem, e o segundo, de alguém que compra pra uso coletivo. Veja que, ao longo de 10 anos, em vez de 500 leitores comprarem 500 livros, podem pegá-lo na biblioteca por um tempo e aí ler.


Nada de errado nisso, faz parte de outros setores (roupas, eletrônicos, etc.). MAS


Por que raios não existe um sebo de dvds ou uma videoteca?! Por que as universidades, os governos não fazem a verdadeira proeza de promover cultura com bons filmes? 


Não tenho o direito de assistir aos clássicos "A vida é bela", "O banquete de Babett” ou “12 homens e uma sentença” porque não tenho dinheiro e, ainda que eu fosse assinante de 1 ou 2 plataformas legais de streaming, sem dúvida eles não estariam nelas, e eu precisaria comprar à parte, e haja dinheiro! Quanto ao domínio público, só poderei ter essa felicidade aos na terceira idade? Essa geração estará viva até lá?


Fica aqui minha indignação alarmante tal qual um bilhete em caixa alta mantido em uma garrafa transparente fechada com uma rola boia na água à espera de que alguém com poder que a encontre.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Veganos


Os bichos são tão importantes quanto os humanos?


A saúde humana foi rebaixada à vida animal. Vamos à seguinte reflexão, baseada em um acontecimento hipotético, para buscar entender a "moral vegana":

Se um navio lotado de veganos tragicamente naufragasse com suas fórmulas vegetalizadas e todos eles estivessem a salvo numa ilha cheia de animais selvagens e pés de coco, um verdadeiro TIPO viveria (ou melhor, sobreviveria) somente de carne de coco como fonte de alimento, não é? 

    Ele precisa da carne verdadeira para sobreviver, mas diminui a importância de sua própria vida, fazendo-se livremente suscetível à morte – como muitos atestados de óbitos de frutívoros podem comprovar – em prol da vida da elite do Reino Animal. O veganismo funciona como uma subclasse do sistema calvinista, em que os humanos, racionais, são os deuses da natureza e sacrificam por uma minúscula parcela do mundo animal. Minúscula sim. Amam as vacas, os porcos e as galinhas, mas e os piolhos, as baratas e as lombrigas?


Por que o veganismo é um problema?


Já parou pra pensar como funcionaria a Veganolândia? Todos teriam de ser veganos, visto que não permitiriam a morte de um dito igual, não é? Dependendo de onde se localize, como funcionará o nicho dos animais que lá vivem? Irão prover bananas para os leões, barrar sua parte do mar e alimentar os tubarões com melancia? Alimentar os piolhos em um ecossistema artificial? "Vacinar" os mosquitos para não transmitirem leishmaniose, dengue ou qualquer outra doença endêmica? É o carnaval dos bichos, e Saint Saens ficaria chateado. Qual é a finalidade de toda essa crença? Já desprezaram a raça humana e agora querem servir aos animais?

As benevolências do Egito


E as baratas? Também não são elas animais? Tomam ivermectina matando seus vermes. Defendam os neurocisticercos! Quem vale mais, o porco ou o cisticerco? Quem vale mais: o cisticerco, ou o homem? Que referencial é esse que usam para medir toda a vida de um porco com a do ser humano? Acaso são irmãos? Por que protegem os porcos, mas não os ovos da tênia? Vamos abolir a ivermectina? Qual é o referencial para definir que animais têm direito à vida? Se não existe referencial absoluto para definir o direito à vida, a verdade não existe. Numa loucura cega, querem relativizar tudo. O mundo está doente, mas despreza os médicos sãos e vai atrás dos charlatões. 

Qual é a finalidade disso tudo?


Qual é a finalidade disso tudo? O mundo existe pra que todos se tornem veganos e vivam em paz? Sem a interferência dos homens, os bichos vivem segundo sua natureza, e é natural que uns vivam e outros morram. Na raça humana, temos a lei moral e podemos discernir o que é certo e errado. 


Você vive e morre pra algo efêmero, que vai se encerrar e não tem importância alguma. À beira da morte, de que valeria "salvei as galinhas e as vacas de serem mortas", mas e o destino das almas? Em vez de se concentrar na batalha do bem contra o mal, se distraem no castelo de Herodes que é o veganismo e assim tantas outras ideologias que querem distorcer os valores, desconstruir a verdade. De que vale salvar cachorrinhos e matar uma família miserável de fome lá na China?


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

A casa do nosso coração

    Leitura do Evangelho segundo São Lucas (Lc 11, 15-26)

    No Evangelho de São Lucas, havia uma casa cujo demônio foi expulso por alguém mais forte. Enquanto vagava pelo deserto, decidiu retornar a ela e a encontrou vazia. Ao notar a oportunidade, saiu e voltou com mais seis demônios piores do que ele.

    Temos que vigiar a casa do nosso coração. No Batismo, o demônio que habitava o nosso coração por causa do pecado original é expulso. Se uma pessoa pecar gravemente, caindo em uma vida toda errada, será pior do que antes, como atesta o Evangelho: ela tinha só um demônio e depois tinha mais seis piores que o primeiro. 

    Como diz o ditado popular: "Mente vazia é oficina do diabo". Da mesma forma funciona o nosso coração, que não deve ser negligenciado. A casa não estava bagunçada, a Escritura é clara em dizer que está arrumada e limpa. No entanto, o dono se descuidou e saiu. "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." (1 Pe 5, 8).

    Para baseá-la em um exemplo da vida cotidiana, é similar a um ex-alcoólatra que passa 15 anos sem pôr um pingo de álcool na boca, mas um dia diz "Ah, mas se eu só tomar um gole... já faz 15 anos, eu posso me controlar!" e assim cai em uma cova muito mais profunda que a anterior, entregando-se não só à bebedeira, mas a outros pecadores ainda piores.

    Isso não acontecia com Nossa Senhora. Por quê?  Porque ela estava vazia de si e cheia da graça, cheia de Deus. A mente nem o coração da Virgem Maria estavam vazios, pelo contrário: o que lhe acontecia, o Evangelho nos diz que "Ela meditava em seu coração". As nossas maiores armas são a Missa, o Santo Terço, a Confissão e a meditação da Palavra de Deus. É nessa união íntima com Deus que nos protegemos. Se nos armarmos assim, não precisaremos ter medo porque escolhemos Deus, uma escolha que deve ser renovada todos os dias.

    Uma observação é que essa passagem também nos mostra a importância de não murmurar, isto é, não reclamar. Um santo costumava dizer que "reclamar é louvar ao demônio". E quantas vezes não reclamamos no dia a dia, como se isso fosse mudar alguma coisa? Precisamos ser gratos todos os dias pela amor de Deus e até mesmo pelos sofrimentos no dia a dia, por piores que sejam, pois "não cai um fio de nossas cabeças sem que ele o permita", e tudo isso permite a nossa santificação e união com Ele.


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

A imensidão da vida

    Eis a pergunta que cala muitos muitos homens: qual o sentido da vida? Aristóteles, ao erguer a mão para responder "a felicidade!", já traça um caminho intuitivo para descobri-lo. No entanto, o que fazer quando os meios para supostamente alcançá-la são cessados?

    A mídia nos entrega o sucesso, o dinheiro e às vezes até a família, mas nada disto preenche o vazio da alma humana: "Onde há o espírito, não é possível matar a insaciedade com a finitude da matéria" (A doutrina de freud. Pe. Antônio d'Almeida Júnior). Porém, o que fazer quando suas pernas fraquejam e não se consegue mais andar? Em vez de ajudar a caminhar, querem abreviar sua vida para poupá-lo do sofrimento de não poder aproveitá-la como se espera. É o que aconteceu em "O Escafandro e a Borboleta" (Schnabel, 2008) e em "Como eu era antes de você" (Sharrock, 2016). A brevidade da vida, ao ser abordada em ambas, vai, não mostra apenas casos particulares – ainda que um seja baseado em uma história real e outro, em um romance fictício –, mas envolvem e modelam o pensamento sobre a luta pela vida de toda uma geração.

O escafandro e a borboleta (2008)

    Jean, um homem de 43 anos que acorda aprisionado em seu próprio corpo e a única parte que se mexe é a pálpebra de seu olho esquerdo, luta pela vida até o fim e dá um sentido a ela. E ele não é o único que se aproveita e se fortalece por tal ampliação do horizonte, mas é um exemplo para seus filhos, os enfermeiros e todos aqueles que puderam conhecê-lo quer seja na vida ou após a morte, mediante seu livro, cujo título é homônimo ao famoso filme de 2008. Rico, a única possibilidade que o dinheiro lhe ofereceu foi viver o restante de sua vida com comida e lar, mas toda a sua trajetória existencial foi definida pelo sentido. É natural a vontade de viver.

    Ainda que não tenha sido milagrosamente curado como Santa Gemma Galgani nem tenha tido uma proximidade tão íntima da Felicidade (com F maiúsculo, verdadeiramente), foi um exemplo de quão bela a vida é e que o seu fim exalta sua beleza: "A vida é preciosa porque ela acaba" (O menino do pijama listrado. Herman, 2008). O instinto de sobrevivência, o amor à vida, falou mais alto. 

Como eu era antes de você (2016)

    No entanto, o que dizer do desfecho do livro-filme para adolescentes (intencionalmente ou não, é o público principal) "Como eu era antes de você"? A apologia ao suicídio – disfarçado sob o eufemismo de eutanásia – é expressivamente atenuada ao longo da obra. As mocinhas podem ter ido às lágrimas com o pseudodrama envolvido, mas e os tetraplégicos da vida real? E aqueles que sequer têm uma família financeiramente abastada para suprir suas necessidades básicas? E aqueles que um dia podem encontrar a si ou a um amigo ou familiar em semelhante condição? E se não fosse somente um tetraplégico, mas uma menina que fora violada? A construção de um romance em torno de questões delicadas não é o problema, mas o uso dele para um desfecho suicida - o qual, queira ou não, criará uma influência sem repulsas, dados toda a beleza exterior da obra e o impulso midiático em torná-lo normal - para os futuros regentes do mundo: os jovens. É deturpando os valores na juventude rebelde que até o mais básico de todos - a vida! - será (e já está sendo) relativizada. 

    A vida não se restringe ao potencial que o corpo pode promover, nem ao trabalho ou até mesmo a família – tudo isso lhe foi tirado e redefinido. Jean buscou uma razão para viver e, apesar de não ter encontrado a Razão Primordial – que responde às questões existencialistas o suficiente, ao menos, para que o homem dê um valor inestimável à vida –, lutou a partir de seu horizonte graças ao amor. Sua liberdade, tal qual a de Santa Gemma, era outra: o amor. Amando a própria vida, Jean pôde amar sua família e sua borboleta. Aceitou sua condição buscando um sentido para tudo aquilo.

    As vidas de Jean-Baptiste Bauby e de Santa Gemma Galgani são verdadeiras referências para a luta pela vida neste mundo, e infelizmente não são uma febre - e talvez nunca o sejam - para aqueles que manipulam o consumo e o pensamento dos jovens.


Santa Gemma Galgani


domingo, 22 de setembro de 2024

Maria "pecou em Adão" e não herdou o pecado original


    O trecho a seguir pertence ao capítulo II do livro "A mulher bendita diante dos ataques protestantes", do Pe. Júlio Maria Lombaerde. Uma das explicações da passagem de Rm 5, 12 é que a Virgem Maria "pecou em Adão" por ser descendente do sangue dele, mas não herdou o pecado original. Por tal preservação, a Virgem Santa também precisou do sacrifício de Nosso Senhor na cruz, isto é, Jesus morreu para salvar também Maria. Abaixo, segue uma parte do respectivo capítulo.
  1. "Maria Sma. é do sangue de Adão e Eva: Como tal pecou em Adão, mas como tal pecado em Adão, é transmitido pelo sangue, é perfeitamente possível a Deus impedir esta transmissão.

Tal preservação é feita em virtude da antecipação dos merecimentos do Salvador. Deste modo, Maria Sma. é a primeira resgatada e o mais sublime troféu de vitória do Redentor. É o milagre que Deus fez. 
O sangue pecaminoso de Adão e Eva devia chegar até Maria Sma., mas antes de participar de seu ser, neste momento quase imperceptível, em que a alma criada por Deus devia unir-se ao sangue formado pelos progenitores, para formar a pessoa de Maria Sma., Deus retirou o pecado e a Virgem nasceu do sangue regenerado, purificado de Adão e Eva, sendo ela, Maria, preservada de todo contato do pecado. Tal é o privilegio da lmmacu1ada Conceição.

Bem vê o caro protestante que a lei geral, traçada por S. Paulo, não foi violada de modo nenhum, mas basta saber interpretai-a. Podemos, pois, repetir com o Apostolo. Todos pecaram em Adão. 
Mas: todos não receberam o sangue pecaminoso de Adão. Jesus Cristo não podia recebei-o, por ser Deus. Maria Sma. não podia recebei-o, por ser Mãe ele Deus. o Christo foi isento do pecado original por natureza. Maria Sma. o foi por preservação; São Joio Batista o foi por purificação."

 

Possivelmente, o leitor também encontrou dificuldade em entender o que o sacerdote quis explicar. A fim de esclarecê-lo, aqui abaixo está um comentário do colega André Almeida sobre esse texto. 

"Quando o Pe. Lombaerde fala que Maria 'pecou em Adão' não se refere a um pecado individual. É 'pecou' com muitíssimas aspas, por isso mesmo ele coloca até em itálico. 'Pecar em Adão' quer dizer que Maria, assim como todos os outros homens e mulheres, caíram junto de Adão quando Adão pecou, porque Adão não é somente um indivíduo, mas o patriarca de todo o gênero humano.
 
E isso não diz respeito somente à nossa culpa do pecado original, mas também à decadência do gênero humano como um todo. Isso só foi redimido quando o Filho se encarnou em nossa natureza como Novo Adão. Jesus redime nossa decadência pela queda de Adão se tornando novo Adão, e renovando todo o gênero humano. Maria também precisou dessa redenção mesmo sendo inocente do pecado original.

  1. E aqui ele usa isso como argumento pra rebater os protestantes que nos acusam de divinizar Maria. É um argumento teológico bem refinado que obviamente não é casual, então é comum de um leigo estranhar pelo linguajar.

  2. Em síntese: Mesmo sem pecado original, o gênero humano ainda estava podre por causa da dita queda de Adão e precisava de Deus pra redimir isso, o que inclui Maria. Maria não foi 'excluída' da remissão do gênero humano por estar isenta do pecado."

Como pode ver o leitor, ao dizer que Maria Santíssima pecou em Adão, o querido presbítero quis dizer que ela precisou, tal qual um descendente de Adão, da Redenção para ser salva.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

O fariseu e a pecadora encontram Jesus

    Não basta o encontro com Jesus – afinal, também o ladrão zombador na cruz se encontrou. É preciso abrir o coração para ele. O fariseu, sob o véu da aparência, condenou a mulher porque, quando a olhava, via seu pecado, mas Nosso Senhor quando lhe olhava, via um coração arrependido e disposto a amá-lo. Quantas vezes não condenamos os irmãos que querem abandonar o pecado, mas não queremos acolhê-lo? Para o fariseu, era um encontro normal, e ele não o aproveitou. A mulher não; esta humilhou-se: lavou seus pés, enxugou-os com os cabelos, beijou-os e ainda os perfumou. O fariseu, de nariz empinado, não fez nada disso e ainda se pôs a criticá-la, como se ele não tivesse pecados nem fosse inferior Àquele que pode perdo-alos. 

    E - RASCUNHO EPLA METADE

Comentário formulado a partir da homilia de Pe. Luís.


terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Sermão aos Peixes - 1 e 2

CAPÍTULO 1 

    Disse Cristo: sois o sal da terra — quer que façam na terra o que faz o sal (impedir a corrupção). Ou o sal não salga ou a terra não se deixa salgar. Se o primeiro, os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; se o segundo, os ouvintes não a querem receber (lembrou-me o caso do homem que defendia o armamento com a justificativa de que, numa guerra, Jesus pegaria em uma arma e mataria os inimigos). Se o sal não salga, pregadores não reiteram em ações suas palavras e os ouvintes lhe imitam: pregadores pregam a si e ouvintes servem a seus apetites. 

    O que fazer se o sal não salga? Mt 5,13: Lance fora como inútil, para que seja pisado de todos. Atrevimento dizer o que Cristo não pronunciou. É merecedor de todo o desprezo (sic) e de ser metido debaixo dos pés com a palavra ou a vida que prega o contrário.

    O que fazer à terra se ela não se deixa salgar? Cristo não resolveu isso no Evangelho, mas Santo Antônio, que pregava contra os hereges na Itália (sic), na cidade Aríminio. Erros de entedimento quase lhe custaram a vida. Que ele faria? Deixou a praça e foi às praias: "Já que não me querem ouvir os homens, que me ouçam os peixes". Os outros santos foram o sal da terra. Domina maris: Senhora do mar.