sábado, 1 de dezembro de 2018

Menino de engenho – José Lins do Rego

    Menino de engenho é uma obra feita por José Lins do Rego, em 1932, que conta, em primeira pessoa, parte de sua história de vida, tendo como narrador Carlinhos. 
   Carlinhos é um menino que, aos quatro anos de idade, perde a mãe, Clarisse, assassinada pelo pai por tiros, que é mandado ao hospício. O menino sofreu muito ao encontrar sua mãe ensanguentada e seu pai deitado sobre ela, no quarto deles; quer beijá-la, abraçá-la e ficar próximo a seus pais, porém é obstado e levado a outro local de sua residência, onde brinca com seus amigos sem dar atenção ao que as criadas dizem a respeito do ocorrido e, à noite, chora em sua cama com saudades da mãe. 
   Seu pai fora excelente em seu papel, sendo sempre carinhoso, atencioso e presente, mas havia seus momentos de desentendimento com a mulher, assim como outrossim havia os beijos e momentos a sós; ele tinha um temperamento muito excitado e um louco amor pela esposa, o que fizera cometer tal crime. Clarisse tinha cabelos pretos e era pequena, além muito amada pelos criados e carinhosa com seu filho.
   Três dias após a tragédia, tio Juca busca o sobrinho Carlinhos para este morar no engenho do avô materno em Pilar, ainda na Paraíba, enquanto no trem fala sobre o pai do menino ser doido. Ao chegar no engenho, ele é muito bem recebido e admirado pelo povo, além de ter batizado-se nas águas do rio Paraíba. Carlinhos e seus três primos (dois meninos e uma menina — todos mais velhos) passavam o dia brincando. Sua tia Sinhazinha era uma idosa de aproximadamente 70 anos que é bastante rígida, além de odiada pelas negras, assustar os moleques com sua presença e assumir o controle da casa do avô do menino. Tia Maria era mãe de Lili, uma prima sua bastante pálida e magra que tinha a sua idade e olhos azuis e cabelos loirinhos que, certo dia, amanheceu vomitando e, no outro, morreu, fato extremamente triste tanto para sua mãe, quanto para seu primo Carlinhos, que fora repleto de cuidados pela mãe dela, proibindo-o de brincar com os primos e ensinando-lhe a ler, algo bastante complicado porque o menino era desatento.

    Numa tarde, o pessoal do engenho é avisado de que Antônio Silvino virá. Certa vez, por um acidental pião caído sobre o pé de Sinhazinha, Carlinhos apanha dolorosamente com uma chinela, fazendo com que o menino tivesse pensamentos vingativos para com sua tia-avó. Num outro dia, também são avisados de que uma cheia passará pelo engenho, o que enche os meninos de prazer porque, assim, podem divertir-se , encontrando os estragos causados.
    Carlinhos vai à casa do dr. Figueiredo aprender a ler, ensinado por sua mulher, Judite, que do marido apanhava; era muito carinhosa com o menino que, tempos depois, foi estuar numa escolinha penuriosa junto a outros meninos que moravam em engenho. Seu avô não era devoto nem ia às missas ou confessava-se, todavia em tudo vinha dele um "se Deus quiser" ou "tenho fé em Nossa Senhora". Com isso, Maria era encarregada de educar Carlinhos e outros meninos religiosamente. A família de Carlinhos e ele próprio são católicos que não têm a praxe de ir à igreja todo domingo, mas em dias santos demonstram-se devotos e religiosos.
     Chico Pereira é torturado após ser acusado de desvirginar Maria Pia; quando esta e sua mãe vão á casa do avô de Carlinhos para resolverem o casamento, forçado da parte da família da mulata, o homem manda buscarem um livro vermelho com uma cruz, com o objetivo da menina pôr a mão nele e dizer a verdade: Juca quem a maleficiou.
     Com o catecismo, Carlinhos deixava de acreditar em lobisomens (o pessoal do engenho acreditava que José Cutia, o vendedor de ovos, era o lobisomem que comia partes dos animais da região) e zumbis (acreditavam que eles encarnavam-se nos animais). A velha Totonha vivia de contar histórias no engenho, tais como as da mil e uma noites e da menina que fora enterrada viva pela madrasta. Mesmo após a abolição da escravatura, as negras do engenho continuaram trabalhando e dormindo na senzala Santa Rosa, onde eram bem tratadas e cuidadas.
   Carlinhos tinha muitos amigos que lhe prendiam em suas conversas e confissões. O menino conseguira um carneiro para montar, denominou-o Jasmim e era seu sonho realizado. Ele era muito carinhoso com o animal, dando-lhe banho com sabonete e penteando-o. Contavam-se histórias do Engenho Santa Fé (denominado agora Engenho do seu Lula, que escondia dinheiro de ouro enterrado, as negras viviam de jejum e uma lata de manteiga era para um mês. Numa noite, um leão enfurecido entrou dentro da casa do homem, que mandou com urgência uma carta ao José Paulino (avô de Carlinhos), pois além disso um doutor queria roubar-lhe a filha, mas era apenas fruto de sua imaginação. Quando já maior, Carlinhos é vítima de puxado, doença que o deixa em cama por um bom tempo. Seus amigos começam a escola, abandonando o enfermo necessitado de companhia.
   Tio Juca guardava muitos segredos: certa vez, Carlinhos, digno de sua intimidade, sozinho, descobriu revistas pornográficas do tio, — o garoto tinha fascínio de admirá-las — até que fora pego pelo dono.
   Durante a ceia, José Paulino contava suas histórias da família: dos tios Ursulino e Leitão. A primeira paixão de Carlinhos fora Judite, que o ensinava letras em seu colo. Aos 8 anos de idade, sob um cajueiro, beijou Maria Clara, uma prima sua de Recife que visitou o engenho com outras parentas. Já mais velho, ouvira uma conversa do seu avô a respeito de seu pai; mais tarde, um médico o diagnosticou como doente e ele teve medo de enlouquecer como o pai.
      A negra Luísa o livrou da castidade, cativando-o a um vício abominável. Quando Maria Menina fora embora e, pouco depois, seus primos também, Carlinhos fora para o internato. A negra Luísa estava prenha e ninguém sabia de quem. O menino era sempre tentado em seu quarto a masturbar-se. Aos 12 anos, como homem, conhecera Zefa Cajá e apaixonou-se por ela. Pouco depois, estava na boca do povo do engenho que ele contraiu sífilis. Puseram Zefa na cadeia e não deixavam menina alguma sozinha com Carlinhos. O moleque Ricardo também contraíra a doença. Ambos remediavam-se veementemente. Por fim, o menino fora para o Colégio, dando esperança a todos de endireitar-se.


Rebecca de Santana.