O romance "Os ratos", de Dyonelio Machado, foi produzido em 1935 e tem como história a relação financeira de Naziazeno com o capitalismo e sua busca pelo dinheiro retratada em 28 capítulos. O tempo é cronológico, o cenário é o estado do Rio Grande do Sul, o narrador é observador, a linguagem é coloquial com um vocabulário substantival erudito e a separação de capítulos é feita de acordo com pausas.
A obra relata a penuriosa vida de Naziazeno Barbosa, sua mulher Adelaide e seu filho Mainho quando o leiteiro conta que só lhes dá um dia para pagarem sua dívida de cinquenta e três mil-réis.
Naziazeno, por conselho de Adelaide, não pode destruir a oportunidade e continuidade de ter leite em sua casa porque seu filho, de quase quatro anos, está doente de meningite; já deixaram de comprar manteiga para diminuir os gastos, porém não podiam viver sem o leite.
A história passa-se em aproximadamente vinte e quatro horas. Naziazeno, sem tomar café da manhã, com a ajuda de seus amigos, incluindo o Duque, vai a alguns agiotas pedir dinheiro emprestado (arredondando, ficando sessenta mil-réis); quando, por fim, Alcides Kônrad troca seu anel de bacharel por uma quantia de trezentos e cinquenta mil-réis.
Ao conseguir o dinheiro, Naziazeno compra manteiga e brinquedos para o filho, além de investir em sapatos para a esposa enquanto tem os cinquenta e três mil-réis à espera do leiteiro. Porém ocorre um imprevisto: os ratos (eis o porquê do título) roem não somente as mobília e comida da casa, mas também o suado dinheiro que Naziazeno conseguira.
Por fim, a obra termina com o leiteiro pela madrugada despejando o leite de Naziazeno, que dorme.
Rebecca de Santana