
O romance triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, narra em terceira pessoa o exacerbado nacionalismo de um patriota do século XIX ocorrente no estado do Rio de Janeiro.
Policarpo Quaresma, major por apelido outrora, não por renome, é um funcionário público sempre pontual que, certa vez, chama o seresteiro Ricardo Coração dos Outros à sua residência para reprodução das modinhas e exibição das riquezas do Brasil, o que faz com que a vizinhança surpreenda-se pelo capadócio cometido por um homem respeitável.
Numa tarde de abril, o general Albernaz e o major visitaram a negra Maria Rita à busca de cantigas nacionais para o noivado de Ismênia, filha do general; todavia saíram descontentes pela mulher lembra-se somente do Bicho Tutu. Cavalcânti, noivo de Ismênia, informou a existência de um literata, que deu-lhes entre outras canções o Tangolomango.
Chegado o dia, Quaresma, na peça teatral, desmaiou. Ao ser acudido e chegar em casa, aprofundou-se nos estudos do folclore e descobrira que o Tangolomango não era de origem nacional, assim como outras cantigas. Com isso, bateram-lhe a porta e o major a abriu sem cumprimento algum, só desandou a chorar e arrancar seus cabelos, que eram tradições dos tupinambás, originados do Brasil.
Cavalcânti marca a data de seu casamento e Quaresma é verdadeiramente denominado major. Coração dos outros relata a Genelício, cursante da faculdade de direito e noivo de sua afilhada Olga, filha de Coleoni, que o major fora internado no hospício Praia da Saudade por escrever uma carta em tupi ao ministro para tornar tal idioma oficial no Brasil por ser raiz deste. Nos jornais, publicaram uma carta ao major que o transformou em escárnio. A afilhada e Coleoni o visitaram e perceberam mais fleumático em relação ao comportamento e após seis meses obtivera alta. Para tal sociedade, era melhor estar morto que no manicômio. Coleoni, não entendendo bem cousas de oficiais, passou o cargo de cabo a Coração dos Outros. Cavalcânti foge para o exterior e abandona Ismênia, deixando-a extremamente triste.
Após sair do manicômio, o major compra o sítio Sossego, no município de Curuzu, e vende sua casa de São Januário. Conversando com a afilhada e com Adelaide, sua irmã, fica claro que ainda há nacionalismo em sua alma. O sítio tinha terras maltratadas, mas após esforço do major e Anastácio, tornaram-se de bom cultivo. Enquanto isso, o cabo, em sua choupana, cria a música Alice em homenagem a uma lavadeira negra e é chamado para cantar no casamento de Quinota, filha do general, e, uma semana depois, Olga e Genelício casam-se. Quando o cabo visita o Sossego, Anastácio torna-se agregado do major, que, por sua vez, contrata Felizardo como empregado, rapaz tagarela que afirma em dizer que o major é amigo do presidente Floriano Peixoto.
Pode-se perceber também que o major era xenofóbico, afirmando veementemente ser o Brasil o país de terras mais férteis do mundo e nenhum outro o ultrapassava. Aproveitando a opulência de suas plantações, vendia-as, todavia gerando prejuízo irrelevante para Quaresma; para melhor desempenho das colheitas, contratou Mané Candeeiro.
Numa terça-feira, o doutor Campos, presidente da câmara, pede ao major que vote nele, o que fora negado por não interessar-lhe a política; como represália, na quinta-feira Policarpo recebeu uma carta com assinatura de Campos alegando cultivar em terras que não era suas, episódio que só apagou-se com uma carta de Olga que pedia a Adelaide tomar cuidado com o manto de Duquesa, sua pata, que sem o consentimento da dona morreu junto a outros animais pelas pragas da região. Numa tarde, recebeu outra carta, que desta vez obrigava o major a apagar uma quantia de quinhentos mil-réis por usar produtos sem respectivo pagamento, total calúnia e mentira, assim como a anterior intimação.
Felizardo entregou-lhe o jornal matutino e disse que não trabalharia no dia seguinte; o que fez o major pensar que tinha como motivo o feriado da independência do Brasil, todavia na verdade era porque as forças da Marinha voltaram-se contra o presidente Floriano Peixoto — fato verídico reconhecido como Revolta da Armada (1893).
Olga e Genelício separam-se por ter acabado todo o gosto e respeito que sentiam um pelo outro e Coração dos Outros finalmente compôs "Os lábios de Carola".
O marechal era um homem moralmente preguiçoso, sem amor ao trabalho e fisicamente vulgar. O major viajou até ele a fim de dar-lhe forças para suportar a revolta e fora encarregado oficialmente de major. Quinota casou-se e Ismênia enlouqueceu por causa do noivo que nunca vinha. Logo após conversar com o comandante Bustamante num cortiço, o cabo fora acusado de ser um rebelde e teve o violão cassado. Com um tempo, a revolta passou a ser um divertimento da cidade.
O almirante criticava o governo. O general estava tão desesperado com o estado de sua querida filha Ismênia que chamou médiuns e curandeiros para curá-la, fato obstante. O comandante torna Fontes sargento e devolve o violão ao cabo, enquanto Quaresma comandava o campo da revolta. Ismênia, dias após falar à mãe que ia morrer e que o fosse vestida de noiva, faleceu no quarto enquanto vestia-se preparada para enfrentar a morte.
Quaresma voltou para o seu sítio, agora abandonado. Adelaide não ficou sozinha porque tinha a presença da mulher de Felizardo, Sinhá Chica, velha curandeira que tirara as pragas que destruíam a colheita. Após saudades do irmão, Adelaide recebera uma carta deste dizendo-lhe que não podia mais escrevê-la porque fora baleado e assassinara: não estava doendo-lhe o corpo, mas sim sua alma e a consciência.
Certa noite, um homem de Itamarati veio à procura de Quaresma para prender-lhe e executá-lo. Tentando ajudar, o cabo e Olga resolveram falar com o marechal, diligência obstante. Por fim, o major Policarpo Quaresma arrepende-se por ter sido cegamente nacionalista e por não ter feito nada na vida que realmente tenha dado-lhe felicidade e é executado; Olga reflete e chega à conclusão de que tudo na vida é efêmero.
Rebecca de Santana
Policarpo Quaresma, major por apelido outrora, não por renome, é um funcionário público sempre pontual que, certa vez, chama o seresteiro Ricardo Coração dos Outros à sua residência para reprodução das modinhas e exibição das riquezas do Brasil, o que faz com que a vizinhança surpreenda-se pelo capadócio cometido por um homem respeitável.
Numa tarde de abril, o general Albernaz e o major visitaram a negra Maria Rita à busca de cantigas nacionais para o noivado de Ismênia, filha do general; todavia saíram descontentes pela mulher lembra-se somente do Bicho Tutu. Cavalcânti, noivo de Ismênia, informou a existência de um literata, que deu-lhes entre outras canções o Tangolomango.
Chegado o dia, Quaresma, na peça teatral, desmaiou. Ao ser acudido e chegar em casa, aprofundou-se nos estudos do folclore e descobrira que o Tangolomango não era de origem nacional, assim como outras cantigas. Com isso, bateram-lhe a porta e o major a abriu sem cumprimento algum, só desandou a chorar e arrancar seus cabelos, que eram tradições dos tupinambás, originados do Brasil.
Cavalcânti marca a data de seu casamento e Quaresma é verdadeiramente denominado major. Coração dos outros relata a Genelício, cursante da faculdade de direito e noivo de sua afilhada Olga, filha de Coleoni, que o major fora internado no hospício Praia da Saudade por escrever uma carta em tupi ao ministro para tornar tal idioma oficial no Brasil por ser raiz deste. Nos jornais, publicaram uma carta ao major que o transformou em escárnio. A afilhada e Coleoni o visitaram e perceberam mais fleumático em relação ao comportamento e após seis meses obtivera alta. Para tal sociedade, era melhor estar morto que no manicômio. Coleoni, não entendendo bem cousas de oficiais, passou o cargo de cabo a Coração dos Outros. Cavalcânti foge para o exterior e abandona Ismênia, deixando-a extremamente triste.
Após sair do manicômio, o major compra o sítio Sossego, no município de Curuzu, e vende sua casa de São Januário. Conversando com a afilhada e com Adelaide, sua irmã, fica claro que ainda há nacionalismo em sua alma. O sítio tinha terras maltratadas, mas após esforço do major e Anastácio, tornaram-se de bom cultivo. Enquanto isso, o cabo, em sua choupana, cria a música Alice em homenagem a uma lavadeira negra e é chamado para cantar no casamento de Quinota, filha do general, e, uma semana depois, Olga e Genelício casam-se. Quando o cabo visita o Sossego, Anastácio torna-se agregado do major, que, por sua vez, contrata Felizardo como empregado, rapaz tagarela que afirma em dizer que o major é amigo do presidente Floriano Peixoto.
Pode-se perceber também que o major era xenofóbico, afirmando veementemente ser o Brasil o país de terras mais férteis do mundo e nenhum outro o ultrapassava. Aproveitando a opulência de suas plantações, vendia-as, todavia gerando prejuízo irrelevante para Quaresma; para melhor desempenho das colheitas, contratou Mané Candeeiro.
Numa terça-feira, o doutor Campos, presidente da câmara, pede ao major que vote nele, o que fora negado por não interessar-lhe a política; como represália, na quinta-feira Policarpo recebeu uma carta com assinatura de Campos alegando cultivar em terras que não era suas, episódio que só apagou-se com uma carta de Olga que pedia a Adelaide tomar cuidado com o manto de Duquesa, sua pata, que sem o consentimento da dona morreu junto a outros animais pelas pragas da região. Numa tarde, recebeu outra carta, que desta vez obrigava o major a apagar uma quantia de quinhentos mil-réis por usar produtos sem respectivo pagamento, total calúnia e mentira, assim como a anterior intimação.
Felizardo entregou-lhe o jornal matutino e disse que não trabalharia no dia seguinte; o que fez o major pensar que tinha como motivo o feriado da independência do Brasil, todavia na verdade era porque as forças da Marinha voltaram-se contra o presidente Floriano Peixoto — fato verídico reconhecido como Revolta da Armada (1893).
Olga e Genelício separam-se por ter acabado todo o gosto e respeito que sentiam um pelo outro e Coração dos Outros finalmente compôs "Os lábios de Carola".
O marechal era um homem moralmente preguiçoso, sem amor ao trabalho e fisicamente vulgar. O major viajou até ele a fim de dar-lhe forças para suportar a revolta e fora encarregado oficialmente de major. Quinota casou-se e Ismênia enlouqueceu por causa do noivo que nunca vinha. Logo após conversar com o comandante Bustamante num cortiço, o cabo fora acusado de ser um rebelde e teve o violão cassado. Com um tempo, a revolta passou a ser um divertimento da cidade.
O almirante criticava o governo. O general estava tão desesperado com o estado de sua querida filha Ismênia que chamou médiuns e curandeiros para curá-la, fato obstante. O comandante torna Fontes sargento e devolve o violão ao cabo, enquanto Quaresma comandava o campo da revolta. Ismênia, dias após falar à mãe que ia morrer e que o fosse vestida de noiva, faleceu no quarto enquanto vestia-se preparada para enfrentar a morte.
Quaresma voltou para o seu sítio, agora abandonado. Adelaide não ficou sozinha porque tinha a presença da mulher de Felizardo, Sinhá Chica, velha curandeira que tirara as pragas que destruíam a colheita. Após saudades do irmão, Adelaide recebera uma carta deste dizendo-lhe que não podia mais escrevê-la porque fora baleado e assassinara: não estava doendo-lhe o corpo, mas sim sua alma e a consciência.
Certa noite, um homem de Itamarati veio à procura de Quaresma para prender-lhe e executá-lo. Tentando ajudar, o cabo e Olga resolveram falar com o marechal, diligência obstante. Por fim, o major Policarpo Quaresma arrepende-se por ter sido cegamente nacionalista e por não ter feito nada na vida que realmente tenha dado-lhe felicidade e é executado; Olga reflete e chega à conclusão de que tudo na vida é efêmero.
Rebecca de Santana
Exemplo de homem
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