quinta-feira, 1 de março de 2018

Triste fim de Policarpo Quaresma – Afonso de Lima Barreto


Imagem relacionada
    O romance triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, narra em terceira pessoa o exacerbado nacionalismo de um patriota do século XIX ocorrente no estado do Rio de Janeiro. 
    Policarpo Quaresma, major por apelido outrora, não por renome, é um funcionário público sempre pontual que, certa vez, chama o seresteiro Ricardo Coração dos Outros à sua residência para reprodução das modinhas e exibição das riquezas do Brasil, o que faz com que a vizinhança surpreenda-se pelo capadócio cometido por um homem respeitável. 
   Numa tarde de abril, o general Albernaz e o major visitaram a negra Maria Rita à busca de cantigas nacionais para o noivado de Ismênia, filha do general; todavia saíram descontentes pela mulher lembra-se somente do Bicho Tutu. Cavalcânti, noivo de Ismênia, informou a existência de um literata, que deu-lhes entre outras canções o Tangolomango. 
    Chegado o dia, Quaresma, na peça teatral, desmaiou. Ao ser acudido e chegar em casa, aprofundou-se nos estudos do folclore e descobrira que o Tangolomango não era de origem nacional, assim como outras cantigas. Com isso, bateram-lhe a porta e o major a abriu sem cumprimento algum, só desandou a chorar e arrancar seus cabelos, que eram tradições dos tupinambás, originados do Brasil.  
    Cavalcânti marca a data de seu casamento e Quaresma é verdadeiramente denominado major. Coração dos outros relata a Genelício, cursante da faculdade de direito e noivo de sua afilhada Olga, filha de Coleoni, que o major fora internado no hospício Praia da Saudade por escrever uma carta em tupi ao ministro para tornar tal idioma oficial no Brasil por ser raiz deste. Nos jornais, publicaram uma carta ao major que o transformou em escárnio. A afilhada e Coleoni o visitaram e perceberam mais fleumático em relação ao comportamento e após seis meses obtivera alta. Para tal sociedade, era melhor estar morto que no manicômio. Coleoni, não entendendo bem cousas de oficiais, passou o cargo de cabo a Coração dos Outros. Cavalcânti foge para o exterior e abandona Ismênia, deixando-a extremamente triste. 
     Após sair do manicômio, o major compra o sítio Sossego, no município de Curuzu, e vende sua casa de São Januário. Conversando com a afilhada e com Adelaide, sua irmã, fica claro que ainda há nacionalismo em sua alma. O sítio tinha terras maltratadas, mas após esforço do major e Anastácio, tornaram-se de bom cultivo. Enquanto isso, o cabo, em sua choupana, cria a música Alice em homenagem a uma lavadeira negra e é chamado para cantar no casamento de Quinota, filha do general, e, uma semana depois, Olga e Genelício casam-se. Quando o cabo visita o Sossego, Anastácio torna-se agregado do major, que, por sua vez, contrata Felizardo como empregado, rapaz tagarela que afirma em dizer que o major é amigo do presidente Floriano Peixoto. 
      Pode-se perceber também que o major era xenofóbico, afirmando veementemente ser o Brasil o país de terras mais férteis do mundo e nenhum outro o ultrapassava. Aproveitando a opulência de suas plantações, vendia-as, todavia gerando prejuízo irrelevante para Quaresma; para melhor desempenho das colheitas, contratou Mané Candeeiro. 
      Numa terça-feira, o doutor Campos, presidente da câmara, pede ao major que vote nele, o que fora negado por não interessar-lhe a política; como represália, na quinta-feira Policarpo recebeu uma carta com assinatura de Campos alegando cultivar em terras que não era suas, episódio que só apagou-se com uma carta de Olga que pedia a Adelaide tomar cuidado com o manto de Duquesa, sua pata, que sem o consentimento da dona morreu junto a outros animais pelas pragas da região. Numa tarde, recebeu outra carta, que desta vez obrigava o major a apagar uma quantia de quinhentos mil-réis por usar produtos sem respectivo pagamento, total calúnia e mentira, assim como a anterior intimação.  
    Felizardo entregou-lhe o jornal matutino e disse que não trabalharia no dia seguinte; o que fez o major pensar que tinha como motivo o feriado da independência do Brasil, todavia na verdade era porque as forças da Marinha voltaram-se contra o presidente Floriano Peixoto — fato verídico reconhecido como Revolta da Armada (1893).
    Olga e Genelício separam-se por ter acabado todo o gosto e respeito que sentiam um pelo outro e Coração dos Outros finalmente compôs "Os lábios de Carola". 
    O marechal era um homem moralmente preguiçoso, sem amor ao trabalho e fisicamente vulgar. O major viajou até ele a fim de dar-lhe forças para suportar a revolta e fora encarregado oficialmente de major. Quinota casou-se e Ismênia enlouqueceu por causa do noivo que nunca vinha. Logo após conversar com o comandante Bustamante num cortiço, o cabo fora acusado de ser um rebelde e teve o violão cassado. Com um tempo, a revolta passou a ser um divertimento da cidade. 
    O almirante criticava o governo. O general estava tão desesperado com o estado de sua querida filha Ismênia que chamou médiuns e curandeiros para curá-la, fato obstante. O comandante torna Fontes sargento e devolve o violão ao cabo, enquanto Quaresma comandava o campo da revolta. Ismênia, dias após falar à mãe que ia morrer e que o fosse vestida de noiva, faleceu no quarto enquanto vestia-se preparada para enfrentar a morte. 
    Quaresma voltou para o seu sítio, agora abandonado. Adelaide não ficou sozinha porque tinha a presença da mulher de Felizardo, Sinhá Chica, velha curandeira que tirara as pragas que destruíam a colheita. Após saudades do irmão, Adelaide recebera uma carta deste dizendo-lhe que não podia mais escrevê-la porque fora baleado e assassinara: não estava doendo-lhe o corpo, mas sim sua alma e a consciência. 
   Certa noite, um homem de Itamarati veio à procura de Quaresma para prender-lhe e executá-lo. Tentando ajudar, o cabo e Olga resolveram falar com o marechal, diligência obstante. Por fim, o major Policarpo Quaresma arrepende-se por ter sido cegamente nacionalista e por não ter feito nada na vida que realmente tenha dado-lhe felicidade e é executado; Olga reflete e chega à conclusão de que tudo na vida é efêmero.

    Rebecca de Santana

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Os Ratos – Dyonelio Machado

   O romance "Os ratos", de Dyonelio Machado, foi produzido em 1935 e tem como história a relação financeira de Naziazeno com o capitalismo e sua busca pelo dinheiro retratada em 28 capítulos. 
    O tempo é cronológico, o cenário é o estado do Rio Grande do Sul, o narrador é observador, a linguagem é coloquial com um vocabulário substantival erudito e a separação de capítulos é feita de acordo com pausas. 
  A obra relata a penuriosa vida de Naziazeno Barbosa, sua mulher Adelaide e seu filho Mainho quando o leiteiro conta que só lhes dá um dia para pagarem sua dívida de cinquenta e três mil-réis. 
  Naziazeno, por conselho de Adelaide, não pode destruir a oportunidade e continuidade de ter leite em sua casa porque seu filho, de quase quatro anos, está doente de meningite; já deixaram de comprar manteiga para diminuir os gastos, porém não podiam viver sem o leite. 
   A história passa-se em aproximadamente vinte e quatro horas. Naziazeno, sem tomar café da manhã, com a ajuda de seus amigos, incluindo o Duque, vai a alguns agiotas pedir dinheiro emprestado (arredondando, ficando sessenta mil-réis); quando, por fim, Alcides Kônrad troca seu anel de bacharel por uma quantia de trezentos e cinquenta mil-réis. 
    Ao conseguir o dinheiro, Naziazeno compra manteiga e brinquedos para o filho, além de investir em sapatos para a esposa enquanto tem os cinquenta e três mil-réis à espera do leiteiro. Porém ocorre um imprevisto: os ratos (eis o porquê do título) roem não somente as mobília e comida da casa, mas também o suado dinheiro que Naziazeno conseguira. 
   Por fim, a obra termina com o leiteiro pela madrugada despejando o leite de Naziazeno, que dorme. 
   
  Rebecca de Santana

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Joaquim Machado de Assis

Resultado de imagem para imagem livro memorias postumas de bras cubas
  O romance "Memórias póstumas de Brás Cubas", escrito por Machado de Assis em 1881, conta a trajetória da vida não romântica do defunto autor Brás Cubas até o período de sua morte, ocorrida pela pneumonia; disserta a história de um rico e solteiro homem que narra suas memórias de vida em primeira pessoa. 
   Brás Cubas nasce em 20 de outubro de 1805 e falece em 6 de agosto de 1869 e narra, de forma irônica e por meio de metáforas, a sua relação com os amores de sua vida. Sua cerimônia fúnebre fora realizada por onze amigo, entre eles sua irmã Sabina e sua ex-amante Vigília. Ele decide descrever suas memórias postumamente sem preocupar-se com as opiniões alheias, além de homenageá-las ao verme que roeu as frias carnes de seu cadáver, iniciando a obra pelo seu enterro. 
   Em sua infância, relata suas traquinagens e maus tratamentos ao escravo Prudêncio, sua amizade com Quincas Borba, um colega de escola, e os amores adúlteros de dona Eusébia. 
   Em sua juventude, retrata seu relacionamento com a prostituta de luxo Marcela, que, além de ter sido seu primeiro amor, deu-lhe o primeiro beijo, quando ele tinha 17 anos, e que amou-lhe por quinze meses e onze contos de réis. Brás Cubas é mandado a Coimbra, onde bacharela-se em Direito, iniciando sua carreira política, e tenta curar seu amor pela prostituta, que era indesejado pelos pais; retorna à sua terra, o Rio de Janeiro, quando sua mãe morre, enquanto namorara Eugênia, o que faz seu pai decidir casar-lhe com Vigília, que prefere e casa-se com Lobo Neves. 
   Quando seu pai morre, há um conflito entre o protagonista e sua irmã para decidir com quem fica a herança. 
   Vigília e Brás Cubas tornam-se amantes, o que o faz pagar alguns contos de réis a dona Plácida, que descobre o adultério e, com o dinheiro, arranja-lhes uma casa para a ocorrência da traição e enterra o assunto em segredo. 
   Quando Lobo Neves parte para o Norte, pois torna-se presidente, Vigília, sua esposa, com ele parte, terminando o relacionamento secreto entre ambos. Brás Cubas, após a fria separação, aproxima-se de Nhá Loló, parenta de seu cunhado Cotrim, mas ela morre de febre amarela antes de casarem-se. Aos poucos, Quincas Borba, dona Plácida e outros personagens vão-se, o que faz Brás Cubas querer inventar um remédio que cure todos os males da humanidade, mas não o cria porque morre de pneumonia, porém crê que morreu pela indagação de uma ideia fúnebre. Brás Cubas não conseguiu nada que almejava e, por isso, seu enredo final é cheio de frustações. 

Rebecca de Santana

APRESENTAÇÃO


Este blog é de uso particular, mas se por algum acaso chegaram aqui... sejam bem-vindos! Vou postar alguns pensamentos, aprendizados e questionamentos que acredito serem edificantes. Eu não tenho — tampouco pretendo ter — formação em qualquer área da linguística. 

The Hobbit (1977)
Sou apenas uma apreciadora do belo universo criado por Tolkien. Fique à vontade para acrescentar ou sugerir algo por meio dos comentários.

Que Jesus, Maria e José caminhem convosco =D

At.te,
Rebecca